May 2007


A pergunta foi feita hoje de manhã, por um aluno da Cásper Líbero durante mais uma palestra sobre jornalismo colaborativo.

Acho engraçado as pessoas buscarem “garantias” na web. Um espaço tão autônomo, tão descentrado não tem como oferecer garantia de nada! Mas ele tem razão em buscar isso. Até hoje os veículos ofereceram garantia da informação, na forma de credibilidade.

Claro, respondi ao guri que, apesar de não haver garantia de que um cidadão colabora regularmente com um noticiário, há artifícios que podem ser usados por jornalistas para manter a atenção do “citizen reporter”, como:

1. manter contato pessoal (mails, especialmente quando o colaborador anda muito calado);
2. cartões de visita em nome do colaborador (e então lembrei de quando recebi os cartões do OhmyNews em casa, numa baita sensação de pertencimento e reconhecimento);
3. promover encontro presenciais
4. compensar de alguma maneira o colaborador

E quanto a esse último item, o “alguma maneira” foi especificado por Craig Wiler, no gillmoriano “Bayosphere”:

The first thing you have to do in this situation is obviously take care of your volunteers or they won’t want to volunteer. People have to get something in the bargain that’s valuable to them. It will be different everyone, but mostly it’s recognition, training and a chance to make a difference that people are after.

Nada novo, mas que às vezes precisa ser lembrado, assim como:

Based on my experience, this is what’s needed to succeed:
* CJ’s need to be seen on the pages most seen by visitors.
* CJ’s need encouragement and critique by staff.
* CJ’s need acknowledgement for work above and beyond
.”

Jornalistas não foram preparados para isso e ainda não vêm sendo, mesmo os que ainda se encontram em formação. No entanto, esse acompanhamento do trabalho no cidadão repórter, esse retorno com críticas só pode ser feito pelo jornalista interessado e inteirado de todo o processo.

Nada de departamentos de atendimento ao leitor, por exemplo. Até porque cidadão repórter está longe de ser somente leitor.

A resposta vai longe e segue sem garantias. Mas o dia em que jornalismo colaborativo for construído sobre certezas absolutas, perderá toda a graça…

Muito tri essa parada promovida pela Federal do Espírito Santo. Peguei a programação lá do Roberto Romano, com quem vou dividir a mesa “NÓS, A MÍDIA: JORNALISMO CIDADÃO E O FUTURO DO JORNALISMO PROFISSIONAL” na tarde da outra sexta, dia 25/05.

Entre 21 e 25 de maio, em Vitória, ES, 30 palestrantes estarão reunidos discutindo o tema “comunicação e cultura na cidade”, no seminário A Constituição do Comum, organizado pela Ufes e prefeitura de Vitória, com apoio do Ministério da Cultura. As inscrições para participar podem ser feitas no site do evento: http://www.ocomum.com.br/

Eu participo da última mesa, no dia 25, discutindo jornalismo cidadão ao lado de Ana Maria Brambilla, Orlando Lopes e Cleber Carminatti. Veja a programação do evento abaixo.

DIA 21 DE MAIO - ESTAÇÃO PORTO / ARMAZÉM 5

9h30 - O PAPEL DA CULTURA E DA COMUNICAÇÃO NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
João Coser - Prefeito de Vitória
Representante do Ministério da Cultura
Giuseppe Cocco - UFRJ
Maurizzio Lazzaratto - Universidade de Paris 1 (França)

14h - ESTÉTICA DA MULTIDÃO E REDES DE PRODUÇÃO CULTURAL
Bárbara Szaniecki - Universidade Nômade e PUC-RJ
Ivana Bentes - ECO-UFRJ / Universidade Nômade
Luiz Paulo Correa e Castro - Nós do Morro (RJ)
Moderação: Maria Helena Signorelli - Secretária Municipal de Cultura de Vitória

DIA 22 DE MAIO - ESTAÇO PORTO / ARMAZÉM 5

9h - DEMOCRACIA, LIBERDADE E RENDA NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO
Andréa Fumagalli - Universidade de Pavia / Itália
Artur Henrique dos Santos - Presidente Nacional da CUT
Giuseppe Cocco - ESS/UFRJ
Moderação: Eliezer Tavares - Secretário Municipal de Geração e Trabalho e Renda de Vitória

14h - SUSTENTABILIDADE E GESTÃO DE PROJETOS CULTURAIS E DE COMUNICAÇÃO
Oona Castro - FGV
Paulo Lima - RITS
Júlia Zardo - Incubadora Cultural PUC/RJ
Dago Donato - Trama Virtual
Moderador: Tauro Lucilo Tessarolo (Companhia de Desenvolvimento de Vitória)

19h - COQUETEL DE LANÇAMENTO DA REVISTA GLOBAL N.9 E DOS LIVROS:
Estética da Multidão (Barbara Szanieck)
Glob(AL) (Giuseppe Cocco)
Revoluções do Capitalismo (Maurizio Lazzarato)

DIA 23 DE MAIO - ESTAÇO PORTO / ARMAZÉM 5

9h - DESAFIOS PARA A DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA
Paulo Henrique Amorim - Conversa Fiada/IG e TV Record
Antonio Martins - Editor de Le Monde Diplomatique Brasil
Raul Sanchez - Universidad Nomada (Espanha)
Ruth Reis - Secretária Municipal de Comunicação de Vitória
Moderação: Alexandre Passos - Presidente da Câmara de Vereadores de Vitória

14h - INTERNET: NOVAS FORMAS DE OPINIÃO PÚBLICA E DE CONSUMO
Edney Souza - Blog Interney
Gustavo Fortes - Agência Espalhe
Henrique Antoun - ECO/UFRJ
Moderação: Fábio Malini - Departamento de Comunicação / UFES

DIA 24 DE MAIO - ESTAÇO PORTO / ARMAZÉM 5

9h - CRIAÇÃO DE ATIVOS IMATERIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO DAS CIDADES
Yann Moulier Boutang - Universidade de Compiègne (França)
Paulo Henrique de Almeida - UFBA / Governo do Estado da Bahia
Antoine Rebiscoul - Publicis (França)
Moderação: Alexandre Curtiss - Departamento de Comunicação/UFES

14h - DINÂMICAS METROPOLITANAS E POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO
Celio Turino - Secretário Nacional de Projetos Culturais/ MinC
Michelle Collin - CNRS e Institut Français D´Urbanisme (França)
Clara Miranda - Departamento de Arquitetura / UFES
Thierry Baudouin - CNRS e Institut Français D´Urbanisme (França)
Moderação: Kleber Frizzera - Secretário Municipal de Desenvolvimento da Cidade de Vitória

DIA 25 DE MAIO - ESTAÇO PORTO / ARMAZÉM 5

9h - PROGRAMAS DE ACESSO A INTERNET PÚBLICA: ESTRATÉGIAS E PARCERIAS
Marcos Dantas - PUC-RJ
Sérgio Amadeu - Faculdade Casper Libero
Luiz Fernando Barbosa - SEDEC/Prefeitura de Vitória
Rodrigo Mesquita - Radium System
Moderação: José Antonio Martinuzzo (UFES)

14h - NÓS, A MÍDIA: JORNALISMO CIDADÃO E O FUTURO DO JORNALISMO PROFISSIONAL
Roberto Romano - Zero Blog NetworkJornalismo
Ana Maria Brambilla - Editora Abril
Orlando Lopes - Ponto de Cultura/Guarapari
Moderação: Cleber Carminatti - Departamento de Comunicação/UFES

Nas últimas semanas quatro pessoas me chamaram para conversar sobre a implementação de um veículo essencialmente colaborativo aqui no Brasil.

Ainda que a idéia me encante e esteja se tornando, a cada dia mais, um projeto de vida, meu principal benchmark ainda é o OhmyNews e isso, certas vezes, não ajuda muito. Fácil entender o porquê: realidades MUITO diferentes.

Num artigo que entregarei ao Mario Cavalcanti amanhã (se ele ainda deixar!), explico bem que diferenças são essas, mas já é possível imaginar a disparidade entre Brasil e Coréia do Sul em aspectos como alfabetização, renda per capita e conexão por banda larga, para citar alguns.

Alfabetizar é uma tarefa que extrapola os “poderes” de uma empresa de comunicação, ainda que possa contribuir indiretamente para isso estimulando a leitura.

Aumentar a renda per capita é algo mais complexo ainda, que remete à identidade brasileira tão ligada à colonização exploratória e, com isso, ainda hoje, financeiramente tão desigual. Quem dera, portanto, o jornalista dar conta de uma problemática como essa!

A conexão por banda larga é que me parece o problema menor. E aí vem a especulação: para que haja efetivamente um veículo de jornalismo colaborativo no Brasil, ele terá que oferecer acesso aos cidadãos repórteres.

Diferentemente da Coréia do Sul, onde cybercafés em cada esquina funcionam como “redações” para os cidadãos repórteres, tem lugar aqui no Brasil onde nem a banda larga chegou, quiçá cybercafés e dinheiro para a população pagar por uma ou duas horas de acesso.

Jornalismo colaborativo e inovação andam juntos.

Por que não inovar montando mini-redações pelo país afora, oferecendo uma das condições básicas para o público produzir conteúdo? Nada rebuscado. Dois ou três computadores em local público, centros comunitários, escolas, bibliotecas, mercados municipais, dependendo da densidade demográfica da região. Quem sabe uma parceria com um grande investidor? Não chego a pensar no poder público/telecentros. Eles já poderiam ter feito algo assim e não fizeram. Acredito em algo 100% orientado pela iniciativa privada.

Muito, muito custo à vista. Nem saberia estimar quanto. Mas inovação é para poucos… e para quem quer ficar para sempre marcado de modo positivo na cultura de um país.

Esse é o título da dissertação de mestrado do Rafael Savi, defendida recentemente na Universidade Federal de Santa Catarina.

Conheci o Rafael no II SBPJor, lá mesmo, em Floripa, e lembro do quanto comentávamos da resistência que aqueles pesquisadores que ali estavam participando daquele encontro ainda guardavam em relação ao jornalismo colaborativo, salvo raríssimas exceções como Marcos Palácios e Luciana Mielniczuk.

Então agora o Rafa cumpre a missão e ainda presenteia a comunidade online com seu trabalho, disponível para download e licenciado em Creative Commons.

Parabéns, Rafael! Conto contigo para dominarmos o mundo com o jornalismo colaborativo!!! (hihihihi)

O convite é assim:

“You’re the passionate expert that other people turn to for advice, and you wouldn’t have it any other way. You enjoy telling people what computer to buy, explaining how to fix a broken ceiling fan, giving out cheesecake recipes, or helping total strangers plan their vacations.
You’re a seasoned writer with an engaging voice and an infectious enthusiasm for a particular topic.
If all of the above is true, perhaps you have what it takes to be an About.com Guide!”

A coisa por lá é mais séria do que eu recomendaria. Pessoas que se propõem a ser guias de assuntos diversos como budismo, boliche, drogas, cidade de Detroit, insônia, Las Vegas, osteoporose, Indianápolis, taoísmo ou carros usados são tratadas como freelancers pelo About.

O legal é que isso cria um vínculo maravilhoso do colaborador com o veículo. Ele se identifica exaustivamente por meio de uma página própria, de modo que os leitores de seus conselhos saibam quem os está escrevendo.

São colunistas… Não-jornalistas. E especialistas naquilo que escrevem.

Gostei bastante!

O Kolabora preparou esse guia rápido em março desse ano. Já tinha visto em algum lugar, mas aqui parece o original.

The key features that characterize collaborative writing tools and technologies include:

 

  • File types supported:which are the supported file formats for the files that can be edited collaboratively 

     

  • Text chat: the presence of a text chat that users can utilize to communicate while editing 

     

  • Revisions:the capability to track all changes made to the original document and go back to older versions 

     

  • RSS: support for RSS feeds, allowing users to get real-time notifications when changes are made. 

     

  • Email updates:the capability to receive email updating users when there are changes to the documents that are being edited. 

     

  • Public/Private:the possibility to set up private or public collaborative editing sessions. 

     

  • Max Editors:the max number of editors allowed 

     

  • Real-Time - Co-editing:the possibility to collaboratively edit in real-time 

     

  • Software/Web-based: the type of collaborative system 

     

  • Comments:the possibility to add comments to the document 

     

  • Spell check:the availability of a spell checking tool

E segue uma lista de análise de várias ferramentas de escrita colaborativa disponíveis na web. Bastante prático e objetivo, para quem pensa em abraçar a produção coletiva de conteúdo :)

Nossa, que tri!

Lembra daquela entrevista que fiz com o Juca Varella, do Estadão, sobre o FotoRepórter e publiquei no OhmyNews?

Pois comentaram no Estadão…!

“SÃO PAULO - O projeto de jornalismo cidadão FotoRepórter, criado pelo jornal O Estado de S. Paulo e que já conta com mais de 8 mil colaboradores cadastrados, foi notícia no portal de notícias OhMyNews (clique aqui para ler a notícia original).”

Com a palavra, o abriliano que adooooora gaúchos, Alê Miraldo:

“O Papa fala português melhor que o Lula!”

Faaala, Henrique Matos:

“Pô Ana, não era para tanto né?
Gremista mata o marido colorado após jogo
Uma dona-de-casa gremista matou o marido, torcedor do Inter, em Imbé, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, no início da madrugada desta quinta-feira (10). O desentendimento começou após a vitória do Grêmio sobre o São Paulo, pela Copa Libertadores. Ela disse que foi agredida e, por isso, deu uma facada no peito do marido.”
Preciso dizer que ele é são-paulino, não?… aaaai, que dooor de cotovelo!

Mas que tal!? A Internet já tem seu “dia mundial”!

Deu no Clarín. Em Buenos Aires a data vai bombar em atividades promovidas pela Câmara Argentina de Comércio Eletrônico e a Associação de Usuários de Internet.

E aqui no Brasil? Alguém já ouviu alguma coisa?

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