May 2007


É muito, MUITO estranho. Mais do que isso, é RARO acontecer da redação do OhmyNews não dar nenhum plá sobre um artigo submetido à publicação.

Hoje tá fazendo uma semana que enviei um artigo recheado de fotos sobre o BarCamp Floripa. Lá está ele, no meu Reporter Desk, em Saengnamu (madeira-verde-que-não-faz-fogo), o que significa que o artigo está em revisão pela equipe editorial e, portanto, não oficialmente publicado.

Eu imagino que a quantidade de trabalho esteja crescendo por lá, especialmente às vésperas do 3º Fórum Internacional de Cidadãos Repórteres. Mas daí a não dar UM retorno?

Hoje escrevi ao editor, Todd Thacker, perguntando qual a razão do silêncio. Antes de ficar chateada com o que possa parecer descaso, fico é preocupada por ter escrito algo errado, fora da política editorial do OhmyNews.

Vamos ver. Se o Todd responder, posto aqui…

(Please, né, OhmyNews!? Não me decepcione por não dar retorno a um artigo, justamente uma prática que eu tanto condeno em outros projetos de jornalismo colaborativo…)

Muito tri! O Fábio Silvestre Cardoso (creio eu, o profe da Anhembi que participou do BarCamp Floripa) blogou o evento lá no Digestivo Cultural, do querido Julio Daio Borges.

Valeu, guris!!

Quem disse que o meio do ano não é época de BestWestern? Ok, ok… Dessa vez não foi em Seul nem em Incheon. Mas foi em Vitória, de frente pro mar, à espera de uma roda de conversa super gostosa sobre jornalismo colaborativo no porto da cidade.

Agora imaginem ser ESTE o cenário da discussão…

Roberto Romano Taddei e Orlando Lopes dividiram comigo a sessão de encerramento do seminário “A Constituição do Comum”, curado pelo querido Fábio Malini, da UFES. Era para ser uma mesa, mas ao voltarmos do almoço, depois do painel com Marcos Dantas, Luiz Fernando Barbosa e Sérgio Amadeu, o palco onde aconteciam as palestras já estava sendo preparado para o show de encerramento. Que palestra, o quê!

Foi aí que tivemos a idéia de não atrapalhar o trabalho do pessoal da técnica e fazer um painel diferente, talvez num estilo algo “barcampeiro”. Quando conheci o moderador, Cleber Carminatti, Profe do Depto. de Comunicação da UFES, tive certeza de que ele toparia o novo “formato”. FI-GU-RA-ÇA esse profe ^.^ Quero muito vê-lo outra vez e, se possível, entrevistá-lo sob a pauta: como é viver SEM celular? Detalhe: ele não é um coleguinha jurássico, acredite.

Mas ao contrário da impressão de que ninguém tava a fim de palestra numa sexta à tarde, me surpreendi ao encontrar mais de 100 pessoas sentadas numa roda, com um microfone sem fio circulando.

Seria, pelo menos, incoerente falar sobre “Nós, a mídia: jornalismo cidadão e o futuro do jornalismo profissional” impondo aquela distância entre aqueles que falam e aqueles que só escutam.

Eis que surge no meio da multidão ninguém menos que… Henrique Antoun, com todo o seu humor sarcástico, espírito provocativo e uma simpatia única, de verdade.

Muito, MUITO bom estar por lá ^.^
Que tenha sido só um começo…

UPDATED: Ao adentrar ao recinto (um armazém do cais), Henrique Antoun avistou aquela roda de cadeiras e pensou consigo: “Isso só pode ser coisa da Aninha”. hahahahahahahahahahaha Tu tem que ir num BarCamp, Antoun!!

Demorou! Até o portal de notícias da Globo já lançou sua área de conteúdo colaborativo.

O VC no G1 iniciou suas atividades hoje e promete apostar em relatos em primeira pessoa. Tem rankeamento, comentários, vídeos, fotos e exige um cadastro suuuuper simples, apesar do nome horrível! ^.^

Ai, ai… Como a vida é bela!…

Um cara legal diz:
Perguntaram ao Jerry Shereshewsky, embaixador do Yahoo NY, o que era perigoso investir no jornalismo colaborativo.
Um cara legal diz:
Ele respondeu “perigoso hoje é não investir no conteúdo colaborativo”.

Tô dizendo! Os coleguinhas jurássicos MORREM DE MEDO de jornalismo colaborativo.

Conversê no MSN, com sutis “adaptações” de texto prá minha fonte, que precisa continuar pagando as suas contas…

Andrea Costa mandou dizer:

According to Texterity, Inc, an American provider of digital magazine solutions who recently conducted its second annual BPA Worldwide-certified digital magazine reader survey, digital magazine reader satisfaction rates remain high: 88 per cent of readers are “very satisfied” or “satisfied” with their digital edition, an increase of three per cent from 2006.

The survey also showed that digital magazine readers are highly engaged with the digital edition: 89 per cent read the digital edition the same week and 42 per cent read it immediately or the same day. Digital magazine readers are also reducing their use of print, making digital magazines critical for reaching these readers. Over 44 per cent of respondents have decreased their use of print in the last twelve months. This is an 11 per cent rise from the 2006 survey in which 33 per cent of respondents had decreased their use of print.

The top four reasons that digital subscribers cite for reading digital editions remain unchanged from last year and are, in order, the ability to search issues, ease of saving, environmental friendliness and more convenient than print.

Questionnaires were sent to over 99,000 current digital magazine readers of 110 different publications representing 33 publishers. Over 12 per cent of recipients completed the survey.

Other highlights of the survey include:

Digital readers remain highly engaged with advertisers. In 2007, 90 per cent took some type of action with a product or service. The majority of respondents, 65 per cent, visited the advertiser’s website.

Digital readers are using digital archives for convenient reference and storage. Over 89 per cent of respondents use the digital archives, with the vast majority using them to find specific articles.

Digital editions are not just for “Generation X”. The typical reader is a professional, with the median reader age of 45 years old, having over 17.5 years of industry experience.

Olha que tri:

“Members participate through the submission of scripts, auditions, characters, cartoons and stunts. Submissions are then voted upon by other members. Uploads from the most popular members will then be used as the basis for the final films.”

ENCANTADOR esse artigo do Oregon Live, chamado pela María Pastora, em seu blog:

Trechinho que fez o olho brilhar:

A Jim Boyd, uno de los pocos lectores que proporciona su nombre en sus comentarios en línea para The Tennessean, le encanta el intercambio de ideas sin restricciones y escandalos en el sitio de internet, y lo considera un “nuevo Renacimiento”.
Con relación a los comentarios vulgares y llenos de odio que en ocasiones aparecen en línea, cree “realmente que eso forma parte de la libertad. Si alguien quiere quedar en ridículo, simplemente hay que dejarlo”.

O artigo analisa o relacionamento que alguns jornais como The New York Times, USA Today, The Tennessean com os comentários deixados em suas matérias.

Percebam a MATURIDADE do raciocínio de Vivian Schiller, vice-presidente e gerente geral do NYT:

“No entiendo a la gente que se lava las manos y dice: ‘Simplemente vamos a rendirnos ante la información irrelevante en nuestro sitio en la internet”.

Com todo o amor, para os coleguinhas jurássicos que tremelicam ao perguntar: “E se alguém escrever palavrão nos comentários do blog da redação????”

Do MMOnline:

“O Ibope Net/Ratings anuncia um novo recorde na internet brasileira. Segundo informações do Instituto o mês de abril alcançou a marca de 21 horas e 44 minutos por usuário na web. Esse é o maior período de utilização da internet desde setembro de 2000, e faz com que o País na liderança de uso doméstico em todo mundo. O tempo é 49 minutos (ou 3,9%) maior se comparado com março.”

Apesar do erro na construção da frase, a notícia é boa! E fica o registro-puxão-de-orelha para quem ainda acha que internet não é coisa que brasileiro goste.

Aluizio Amorim mandou contar que Caio Túlio Costa está no OI com um artigo até interessante sobre as peculiaridades da rede.

Li e destaquei uns trechinhos que fizeram meu olho brilhar, ainda que um pouquinho:

CRÍTICA
“(…) a indústria da mídia engatinha no seu desenvolvimento digital, e quem não se levantar para andar vai perder a corrida.”

Não, isso não fez o olho brilhar. Me deu é coceira! Como sinto diariamente ao me deparar com essa realidade. Algo comparável a testemunhar uma cena em que o bandido vai tomar uma vítima por assalto e, ao avisá-la antes que isso ocorra, ela me vê e tapa os ouvidos, burramente.

Vontade que dá é de deixar que se exploda mesmo, que morra de balaço. Mas não consigo ainda ser tão rancorosa assim. Ainda.

INTERAÇÃO
“A internet é rica porque pode misturar texto, foto, áudio e vídeo na tela do computador à sua maneira – exigindo a interação. Permite não só exibir a reação, mas igualmente a intervenção direta do consumidor, de uma forma difícil para os mais velhos entenderem, mas que qualquer criança intui. Por isso os jovens navegam mundo afora via internet, manipulam equipamentos eletrônicos e jogam games sem precisar de manual.”

É por essas e outras que os jurássicos coleguinhas acham que slide-show é conteúdo interativo. Interação, PELAMORDEDEUS, não é só MANIPULAR a informação, mas CRIAR conteúdo.

A REALIDADE QUE NÃO VÊEM
“Ninguém vai matar o jornal, embora o elemento vivificador, a tecnologia propiciadora de acesso universal e móvel à profusão das informações, leve indústrias, como a do jornal, a entrar em declínio. Passou o apogeu. As circulações dos jornais não crescem mais da maneira como cresciam, não geram mais resultados crescentes – de uma forma geral. A circulação até pode aumentar por conta da explosão do mercado de jornais gratuitos ou dos jornais de preço baixo, mas a indústria não consegue fazer crescer receitas ou a venda de produtos impressos na mesma escala e velocidade do passado. Desde a década de 90, do século passado, essa indústria necessita voltar sua atenção total às margens decrescentes de lucro, e tornou-se imperativo cortar custos – seja de mão-de-obra seja de matéria-prima. Ela não está condenada a morrer, mas está destinada a parar de crescer da maneira como sempre cresceu, a não ser que domine a plataforma da nova mídia, caso contrário, alguém lhe toma o lugar.”

Só para constar em mais um lugar. Vamos que algum jurássico coleguinha passe por aqui e reaja pensando: “Puxa… MAIS UMA pessoa dizendo isso… Será que isso pode ser verdade? GU-GU, DÁ-DÁ!”

O FRUTO PROIBIDO
“(…) quanto mais se tenta amarrar os conteúdos na rede, mais as pessoas encontram meios de escapar.”

Selecionei esse trecho prá quem ainda acredita que cadastros catastróficos e impedimentos burros de acesso a algum conteúdo fideliza internauta ou cria um mailing coxudo…

15 de maio de 2006, quando o PCC parou São Paulo:
“A ordem veio repassada pelo amigo, irmão, mãe, cunhado, primo, colega, chefe… O comando veio pelo celular, pelo mensageiro instantâneo e, principalmente, pelo e-mail, o grande meio de comunicação. Fez o povo se precipitar pelas ruas sem ônibus e sem táxi. A pé, de carona, de carro, como desse. O enorme engarrafamento começou por volta das 15 horas para, milagrosamente, acabar na hora exata da ordem dada. A população fugiu para casa, imaginando que ali estivesse a salvo. Às 20 horas, as ruas da metrópole de 18 milhões de habitantes estavam vazias.”

Muito boa comparação aos atentados ao metrô de Londres. Pena que aqui a informação não alcançou escala MIDIÁTICA. Ficou no boca-a-boca, na mãe dizendo pro filho, que passou pro amigo, que passou prá namorada… Se houvesse um site que publicasse conteúdo direto do celular das pessoas, o Brasil podia começar a pensar que é profissional em tecnologia.

O TIRO DE MISERICÓRDIA
“Por mais que profissionais de comunicação ou intelectuais não queiram entender o conteúdo colaborativo, uma coisa é certa: ele sugere a proximidade de um salto quântico (ou seja, um enorme pulo, de maneira descontínua, diverso dos crescimentos geométricos ou exponenciais) no horizonte do negócio da comunicação.”

De novo: não consigo DESEJAR que a mídia tradicional se esfole. Mas burrice tem limite. E se veículos one-way não despertarem LOGO prá essa mudança, a paciência vai acabar por falta de razão. Não dá para ter misericórdia por muito tempo de quem foi avisado que seria detonado e não quis mudar por simples capricho.

Quanto ao artigo, é bom por dizer coisas bem pertinentes. Mas não conta nada de novo. Anyway, vale a leitura.

« Previous PageNext Page »