Aluizio Amorim mandou contar que Caio Túlio Costa está no OI com um artigo até interessante sobre as peculiaridades da rede.

Li e destaquei uns trechinhos que fizeram meu olho brilhar, ainda que um pouquinho:

CRÍTICA
“(…) a indústria da mídia engatinha no seu desenvolvimento digital, e quem não se levantar para andar vai perder a corrida.”

Não, isso não fez o olho brilhar. Me deu é coceira! Como sinto diariamente ao me deparar com essa realidade. Algo comparável a testemunhar uma cena em que o bandido vai tomar uma vítima por assalto e, ao avisá-la antes que isso ocorra, ela me vê e tapa os ouvidos, burramente.

Vontade que dá é de deixar que se exploda mesmo, que morra de balaço. Mas não consigo ainda ser tão rancorosa assim. Ainda.

INTERAÇÃO
“A internet é rica porque pode misturar texto, foto, áudio e vídeo na tela do computador à sua maneira – exigindo a interação. Permite não só exibir a reação, mas igualmente a intervenção direta do consumidor, de uma forma difícil para os mais velhos entenderem, mas que qualquer criança intui. Por isso os jovens navegam mundo afora via internet, manipulam equipamentos eletrônicos e jogam games sem precisar de manual.”

É por essas e outras que os jurássicos coleguinhas acham que slide-show é conteúdo interativo. Interação, PELAMORDEDEUS, não é só MANIPULAR a informação, mas CRIAR conteúdo.

A REALIDADE QUE NÃO VÊEM
“Ninguém vai matar o jornal, embora o elemento vivificador, a tecnologia propiciadora de acesso universal e móvel à profusão das informações, leve indústrias, como a do jornal, a entrar em declínio. Passou o apogeu. As circulações dos jornais não crescem mais da maneira como cresciam, não geram mais resultados crescentes – de uma forma geral. A circulação até pode aumentar por conta da explosão do mercado de jornais gratuitos ou dos jornais de preço baixo, mas a indústria não consegue fazer crescer receitas ou a venda de produtos impressos na mesma escala e velocidade do passado. Desde a década de 90, do século passado, essa indústria necessita voltar sua atenção total às margens decrescentes de lucro, e tornou-se imperativo cortar custos – seja de mão-de-obra seja de matéria-prima. Ela não está condenada a morrer, mas está destinada a parar de crescer da maneira como sempre cresceu, a não ser que domine a plataforma da nova mídia, caso contrário, alguém lhe toma o lugar.”

Só para constar em mais um lugar. Vamos que algum jurássico coleguinha passe por aqui e reaja pensando: “Puxa… MAIS UMA pessoa dizendo isso… Será que isso pode ser verdade? GU-GU, DÁ-DÁ!”

O FRUTO PROIBIDO
“(…) quanto mais se tenta amarrar os conteúdos na rede, mais as pessoas encontram meios de escapar.”

Selecionei esse trecho prá quem ainda acredita que cadastros catastróficos e impedimentos burros de acesso a algum conteúdo fideliza internauta ou cria um mailing coxudo…

15 de maio de 2006, quando o PCC parou São Paulo:
“A ordem veio repassada pelo amigo, irmão, mãe, cunhado, primo, colega, chefe… O comando veio pelo celular, pelo mensageiro instantâneo e, principalmente, pelo e-mail, o grande meio de comunicação. Fez o povo se precipitar pelas ruas sem ônibus e sem táxi. A pé, de carona, de carro, como desse. O enorme engarrafamento começou por volta das 15 horas para, milagrosamente, acabar na hora exata da ordem dada. A população fugiu para casa, imaginando que ali estivesse a salvo. Às 20 horas, as ruas da metrópole de 18 milhões de habitantes estavam vazias.”

Muito boa comparação aos atentados ao metrô de Londres. Pena que aqui a informação não alcançou escala MIDIÁTICA. Ficou no boca-a-boca, na mãe dizendo pro filho, que passou pro amigo, que passou prá namorada… Se houvesse um site que publicasse conteúdo direto do celular das pessoas, o Brasil podia começar a pensar que é profissional em tecnologia.

O TIRO DE MISERICÓRDIA
“Por mais que profissionais de comunicação ou intelectuais não queiram entender o conteúdo colaborativo, uma coisa é certa: ele sugere a proximidade de um salto quântico (ou seja, um enorme pulo, de maneira descontínua, diverso dos crescimentos geométricos ou exponenciais) no horizonte do negócio da comunicação.”

De novo: não consigo DESEJAR que a mídia tradicional se esfole. Mas burrice tem limite. E se veículos one-way não despertarem LOGO prá essa mudança, a paciência vai acabar por falta de razão. Não dá para ter misericórdia por muito tempo de quem foi avisado que seria detonado e não quis mudar por simples capricho.

Quanto ao artigo, é bom por dizer coisas bem pertinentes. Mas não conta nada de novo. Anyway, vale a leitura.