Então vamos fazer esse espaço valer a pena.

Toda a noite caminho uns 300 metros até o fim da linha dos ônibus 719P-Pinheiros/Armênia e 5100-Pinheiros/Parque Dom Pedro. Esse ponto fica na rua Prof. Henrique Hermann Júnior, quase em frente à SABESP.

Sempre que a Sofrenilda aqui chega, um ônibus acabou de sair. E o fiscal, tri simpático, avisa quanto tempo vai demorar o próximo. Nunca menos de 30 minutos.

Eu sento na calçada, espero. Quando o cansaço aperta, até cochilo um pouquinho com a testa apoiada nos joelhos, “acordando” de dois em dois minutos prá ver se nenhum “elemento suspeito” se aproxima naquela calçada escura. Ou então fico ouvindo música.

Não entremos no (de)mérito da agrura da espera. Trinta minutos é muito, sim, especialmente depois de 9 horas na Abril. Mas pior do que isso é o fiscal, aquele carinha legal que sempre me cumprimenta avisando quando sai o próximo carro.

“Há uns dias comecei a ter dor na bexiga, minha amiga. Aqui não dá nem prá ir ao banheiro. É difícil segurar.”

Explico: essas duas linhas tinham o ponto final na rua Gilberto Sabino, bem atrás da Abril. Ali perto tinha um estacionamento e um boteco, que serviam de QG para o fiscal, os motoristas e cobradores da Viação Gato Preto.

Era assim até cair o metrô Pinheiros, a região ficar toda interditada e não ter mais trânsito por ali.

Como? “Não ter mais trânsito por ali?” Faz mais de quatro meses que a região está liberada para trânsito de veículos e todos os dias vejo caminhões circulando por ali. Mas a SPTrans insiste em manter o ponto final dessas linhas lá na *&%¨$#@)*$%#.

É HUMANO ter onde comer alguma coisa depois de 6 horas de trabalho.
É HUMANO ter onde fazer xixi dignamente.

E esse pessoal NÃO TEM.

Entre o nada e coisalguma (a SABESP está fechada àquela hora), o ponto final fica num lugar absolutamente escuro (a lâmpada do poste queima no dia seguinte ao que trocam - QUANDO trocam) e “habitado” por um muro alto da Sub-Prefeitura de Pinheiros. Só.

Isso acontece TODOS OS DIAS, até às ONZE DA NOITE.

Até quando?