April 2007


Vejam isso:

“O texto impresso distanciava o autor de seu leitor tornando suas palavras dificilmente contestáveis ou passíveis de alteração, a cópia impressa, graças à sua simplicidade visual e a garantia de reprodução, estendia e ampliava a autoridade adquirida, assim, também como a organização e efetivação de um mercado editorial em tudo concorriam para fortalecê-la.”

Quem escreveu esse texto - Maria Helena Pereira Dias, em sua tese de doutorado na UniPunk - não estava falando do mercado editorial do século XXI. Mas dos idos do século XV, quando o trabalho dos escribas foi substituído pela engenhoca de Guttenberg.

É inacreditável a semelhança com a atualidade, para quem ainda pensa papel.

E triste.

Preciso pensar na morte do leitor. E como falar disso aqui na Abril…

Alexandre Miraldo (aquele que fica me perguntando: “E aí, Ana? Tudo numas?”) mandou dizer:

“O Chicago Tribune colocou no ar o Triblocal, que reune textos e fotos dos leitores dos suburbios de Chicago e também blogs mantidos por eles. Apesar de ter 4 jornalistas profissionais na equipe, o conteudo é determinado pelos colaboradores. O projeto inclui também um tabloide semanal que reune o melhor do site e é distribuido junto com o jornal tradicional.” (By BlueBus)

Muito tri! Vida longa ao Triblocal! :)

O português João Pedro Pereira anuncia, em seu blog, Engrenagem, três características de um cidadão repórter.

São pessoas:

- com uma grande variedade de interesses (o que não é difícil);

- capazes de fazer trabalho jornalístico de qualidade (o que se torna mais complicado);

- dispostas a trabalhar por nenhuma outra recompensa que não a satisfação do trabalho (o que é muito difícil e razão que leva alguns sites a pagarem pelas contribuições).

Apesar do post mostrar a total incredulidade deste cidadão nascido na linda cidade do Porto, ele tem razão nestas colocações. O que me leva a pensar que estudantes - talvez sim, de jornalismo, mas universitários em geral - são o grando público-alvo de campanhas para “recrutar” cidadãos repórteres.

Quando começo a pensar em trocar idéias com Steven Spielberg sobre um projeto de jornalismo colaborativo no Parque dos Dinossauros… Quem tá a fim de discutir isso?

Muito tri essa iniciativa de blogueiros e jornalistas que, unidos, lançaram essa semana o BostonNow, um jornal impresso distribuido gratuitamente nas ruas de Boston todos os dias.

Essa integração blogueiro-jornalista é levada ao pé da letra em todos os momentos do jornal, inclusive na reunião de pauta, que acontece por teleconferência durante a manhã.

Vida longa ao BostonNow!

Sei que estou devendo algumas linhas sobre o episódio de Cho Seung-Hi, estudante sul-coreano que entrou em uma universidade na Virginia, Estados Unidos, saiu atirando prá todo o lado até matar 32 pessoas e, em seguida, se suicidou. Devo, especialmente depois que o Rafael Sbrai dedicou dois posts ao assunto.

Bom, a história todo mundo já conhece, mas o que mais me impressionou nesse fato foi o amplo destaque que os veículos de comunicação deram ao vídeo gravado em celular por um cidadão, nessa hora, repórter. Videozinho esse que não mostra NADA!

CNN, BBC, Terra, iG e blogosfera em geral estão jogando “serpetes e confeitinas” no evento, que “celebrou” o ápice do jornalismo colaborativo.

Honestamente? Balela!

Lógico, enquanto vídeo. Porque não há informação visual relevante naquelas imagens. E sem relevância não se faz jornalismo. Se considerarmos o áudio da gravação, aí sim temos alguma informação jornalística. E olhe lá! Pequena, ainda.

Penso que o fato dessas empresas de mainstream mídia terem abraçado tão calorosamente esse episódio como pai do jornalismo colaborativo tenha algo da necessidade e da urgência de reconhecer e validar esse novo modelo de jornalismo.

casos bem mais significativos em que o trabalho testemunhal do cidadão repórter é muito mais relevante e faz toda a diferença entre o jornalismo tradicional e o colaborativo.

Anyway, esse foi só MAIS UM case de jornalismo colaborativo.

 

Bah! Andava com saudade de escrever pro OhmyNews e, especialmente de trocar idéias com o povo de lá! (Acho que essa é a melhor parte de ser uma cidadã-repórter!)

E como eu ando distante de focos de breaking news, já que a minha realidade é muito mais voltada a projetos e reflexões sobre jornalismo colaborativo, então vamos falar sobre isso!

Afinal, a base do jornalismo colaborativo é transformar o cotidiano em notícia.

Aqui, um pedacinho do meu mais amado cotidiano :)

Com um gostoso comentário de Clair George:

Ana you have described one of the most rewarding but also most challenging parts of my job. Citizen reporters (whether they are using text, photo or video) deserve as much feedback as possible.

Regular conversation helps editors learn how to improve — for example we find out that some misunderstandings are fairly common so we can look out for them in the future.

“It also help the citizen reporters to improve. Citizen reporters are every bit as capable as professional reporters, they just lack the knowledge/experience that comes with devoting oneself to journalism as a full time career. If Mr Porcello worked in a collaborative newsroom and actually told citizen reporters the difference between information and opinion, he would find that they learn it very quickly.”

O OhmyNews pediu e a gente atende :)

Let’s desvendar os meandros do jornalismo colaborativo no Brasil. E o primeiro foco foi o recente e interessantíssimo BrasilWiki, do Eduardo Mattos e de toda a rede.

Em breve, FotoReporter, do Estadão ;)

Ele fala sobre o FotoRepórter no YouTube

“Cabe à sensibilidade das grandes mídias criarem canais como a gente fez”

Hoje são 6,5 mil fotorepórteres espalhados pelo mundo todo, todos os estados brasileiros e em cerca de 25 países.

E eu consegui marcar uma entrevista com essa figura pro OhmyNews!!! Aguardem!!

… seguir os passos do JR… tsc, tsc! Virei isso:

Bloodthirsty, Ravenous, Anthropologist-Mangling, Baby-Injuring Lycanthrope from the Legendary Abbey
Get Your Monster Name

Larissa Grau sentenciou no Observatório da Imprensa:

“… não existe nada mais perigoso do que alguém querendo fazer o bem, especialmente para os outros”

Ela mete pau nos fundamentalismos. Tendo a concordar com ela. Mas vou ter que dizer prá ela ler o finado Jean Baudrillard. (Que Deus - Deus? - o tenha!)

Vive la différence!

Vale a leitura! ;)

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