Acabo de voltar de uma palestra sobre o Second Life Brasil, aqui na Abril, proferida pelo gerente de marketing da Kaizen Games, Emiliano de Castro.

A ocasião foi boa, elucidativa.

E serviu para eu reafirmar a incoerência entre o modelo de relacionamento do SL e a natureza do jornalismo.

A razão é chega a ser simplória: enquanto a raiz do jornalismo é a realidade, SL é sustentado pela ficção.

Ok, se TRADUZ partes da realidade lá dentro, em shows do verdadeiro U2, em filiais da verdadeira Reuters, em tênis da verdadeira Nike, comitê do PSDB e afins. Portanto, o que acaba sendo VERDADEIRO no SL é só a marca. U2. Reuters. Nike. PSDB.

O que acontece DENTRO dessas representações de marca é algo absolutamente praticável por outras ferramentas de uso mais popular, como MSN, Skype (SL ainda não tem voz!), Orkut, e-mail and so on.

Não consigo ver, hoje, como o jornalismo (colaborativo, óbvio!) pode dialogar com o Second Life.

Sem falar na carga de transtorno psíquico provocada por pessoas que “realizam” ali tudo o que não conseguiram concretizar na vida real. Reparem: essas “realizações” são sempre da ordem do mito, da celebridade, da estética e do ovacionismo. Uma cáca!

Não conheço nenhum sarado que crie um avatar gorducho. Nem um gorducho que se assuma como tal.

Lá, todos podem ser mais e melhores! Inclusive do que eles mesmos! É uma masturbação de personalidade. Não consigo ver nisso mais que a lógica do jogo. E da marca.

Assim, Second Life, para a publicidade, é um abraço! Marketeiros e publicitários, deliciem-se!

Enquanto isso eu vou buscando a superação na vida real…