Priscila Aprígio da Silva, a adolescente de 13 anos atingida por uma bala perdida durante tiroteio em assalto a banco, em São Paulo, ficou paraplégica. E está radiante.

Em entrevista à TV Record hoje pela manhã, nos programas Fala Brasil e Hoje em Dia, era visível o distúrbio de realidade por que a menina está passando.

Questionada pela repórter sobre o que ela mais deseja daqui para frente, foi efusiva: “Quero que vocês não me esqueçam! Que venham conversar comigo de vez em quando, que me liguem prá saber como eu estou, que falem de mim!”

Outro sinal, talvez mais comum entre pessoas “deslumbradas” com as lentes: ela dava a entrevista olhando para a câmera, não para a repórter.

Com um sorriso de orelha a orelha, respondia à pergunta “como você acha que a sociedade vai reagir ao seu episódio?” se colocando à disposição. “Ah, no que vocês precisarem, eu tô aí…” (tuuuuudo a ver!)

Não estou recriminando a Priscila, não mesmo. Só estou salientando um sinal quase macabro de desvio de foco do problema. Ela não está só otimista pela recuperação do movimento das pernas. É mais do que isso! Ela está agindo como se estivesse na “crista da onda”! Toda a mídia ao redor, entrevistas prá todo o lado. Ela virou exemplo de perseverança, mártir da violência urbana. E quer mais! Quer que não esqueçam dela!

Pior do que isso é sentir que a ordem da reportagem no ponto no ouvido é sempre “CONTINUE, CONTINUE…”, mesmo que a entrevista esteja patética.

Deboard surtaria.