March 2007


 

Bem que o JR imaginou que esse pudesse ser o título da minha palestra em BH, na Fumec, durante o II Seminário de Cibercultura e Convergência Digital. Depois voltamos atrás, pensamos que estava muito radical e resolvemos ficar no começo da conversa: o que é jornalismo colaborativo, alguns exemplos pelo mundo, qual o papel do jornalista nessa história, como buscar credibilidade nas notícias eticéteretal.

Eis que apareceu um sindicalista - sempre aparece uma Primícia - * e ficamos batendo uma bolinha paradoxalmente gostosa e irritante sobre o fim do jornalismo, a morte do jornalista, a falência dos modelos de negócio na comunicação e patati, patatá que ainda me admiro ouvir dos meus pares.

Sempre que acho que estou falando obviedades - e me sinto mal por isso -, me surpreendo ao ver que jornalismo colaborativo não é apenas obviedade como também não é algo fácil de ser compreendido!

Não sei o que é mais difícil pros jornalistas em geral: entender modelos colaborativos de conteúdo editorial ou fazer os outros entender…

Tenho meus fiéis companheiros nessa luta inglória, certo JR? certo Pedro Penido? certo Fernanda? certo Fani? certo Avorio? certo Fabi? certo Amanda Dias? certo Gabi Leitão? certo Gabi Jardim? certo Rafael Fabretti? certo barcampeiros e amantes do jornalismo colaborativo?

(Eu sei que o mês é de cantar “Porto Alegre é demais”, mas BH não deixa… e me faz cair apaixonada… BH É DEMAIS!!)

* Hoje é o dia! Parei de escrever aqui prá ir pro Parque dos Dinossauros

* Da esquerda à direita: Pedro Penido, Ana Brambilla, Jorge Rocha, Alexandre, Fernanda, guri legal e Ana Paula Condessa no Emporium, na Av. Afonso Pena.

Socorro! Acabo de voltar de mais um passeio pelo Parque dos Dinossauros!

Mais um colega ”Jura” do jornalismo, do alto do seu pescoção, conseguiu me tirar do sério ao afirmar que quer crescer ousadamente em Internet durante 2007 mas… (prá tudo na vida tem um “mas”, mas dessa vez tem DOIS “mases”)

1. não vai investir um centavo
2. não pode correr o risco de que alguém escreva um monte de palavrões em seu site

É mais que bitolação. É ignorância. Bitolação a gente sofre quando conhece uma realidade e se limita a bem menos que ela. Ignorância é desconhecer essa realidade.

Pior do que isso é a atitude contraditória e arrogante de alguém que pensa em ser grandão na Internet mas não admite que o internauta possa agir em seu site.

Jornalismo colaborativo… Quer horror! Isso até parece coisa de comunista! blergh!

P.S.: pior foi voltar e encontrar o JR offline. Putaquepariu, viu? Quando eu mais precisava dele, ele some…

… um carro.

:(

Fazia tempo que não dava uma entrevista tão provocativa! Mérito de quem fez as perguntas! Salve, Larissa Grau, um dos “achados” do JR na Faculdade de Jornalismo da FUMEC (BH).

Depois conto mais como foram essas 36 horas maravilhosas que vivi na terra do Aécio…

A bomba foi detonada por Phil Bronstein, editor-chefe do jornal San Francisco Chronicle, durante uma reunião de emergência com sua equipe de jornalistas.

E ele complementa: “se qualquer outro jornal disser que sabe, está mentindo”. E uma das consequências são cortes nos postos de trabalho.

Soube disso através do Renato Cruz, na lista Intermezzo. Em seu blog no Estadão, Cruz comenta:

“Um problema é que jornal é hábito. A internet comercial chegou ao Brasil em 1995 e hoje existem muitas pessoas com mais de 20 anos que nunca se habituaram com o impresso. Trata-se de um público importante, que dificilmente seria convencido a ler notícias no papel. Com o passar do tempo, a tendência é que esse grupo só venha a crescer.” 

Isso vem absolutamente DE encontro a um mail que recebi assustada, hoje de manhã, onde um colega aqui da Abril, editor DE UM SITE, lembra da notícia “79% dos brasileiros nunca acessaram internet” e diz:

“Fica a pergunta… Por que fazemos Internet?”
Pós-Barcamp, um disparate como esse assusta mesmo. Choca! Principalmente vindo de um colega jovem. A vontade foi de responder: “Oba! Siga pensando assim! Daí eu terei mais chances de trabalho!” Mas dei um desconto e lembrei quantos anos as principais mídias levaram para atingir 50 milhões de pessoas. Vale lembrar:
RÁDIO: 38 anos
TV aberta: 16 anos
TV fechada: 10 anos
INTERNET: 5 anos
That’s all! 

O numero total de pessoas com mais de 16 que tem acesso à web no país (em casa, trabalho e outros) soma em fevereiro 32,9 milhoes, segundo dados do Ibope NetRatings divulgados hoje. A web residencial brasileira responde por 22,1 milhoes de usuarios, 4,1% a mais que no mesmo mes de 2006. Ainda de acordo com a pesquisadora, em fevereiro o numero de usuarios que efetivamente acessaram a internet foi de 14,1 milhoes, crescimento de 6,3% em 1 ano. O Brasil continua a ser o país com maior tempo medio de navegaçao mensal, 19 horas e 7 minutos em fevereiro, queda de 10% em relaçao a janeiro por conta do numero menor de dias e do carnaval.

Deu no BlueBus.

Esse é o Knut. E o cara do lado é o pai adotivo dele, o Thomas Doerflein.

Knut é um sobrevivente de uma pequena ninhada que foi rejeitada pela mamãe ursa Tosca, na Alemanha, que agora vive bem e feliz na companhia de seu paizinho de estimação.

E Doerflein é o feliz, sensível e, por isso, raro ser humano que decidiu dedicar sua vida ao bichinho (é, por enquanto é um “bichinho”).

Lhe dá mamadeira, lhe faz companhia, brinca com ele e lhe deu até presente de Natal. Assim é contado por Odilon Silva Santos, no Minha Notícia.

Tudo era perfeito, até que um estúpido, infeliz e insensível ser humano que, acidentalmente, se auto-denomina “ativista ambiental”, quer SACRIFICAR Knut. O nome do nefasto é Frank Albrecht.

A alegação é que Doerflein estaria “humanizando” o bicho.

Tendo a acreditar nos cuidados de Doerflein, ainda que não veja a situação de perto. Eles estão na Alemanha. Mas há um blog reportando ao mundo a vida tão feliz, saudável e improvável que Knut leva ao lado de seu pai.

Sacrificar… sim! Sacrifiquem Frank Albrecht!

UPDATED em 22/03/2007: ouvi hoje de manhã, no Fala Brasil, a TV Record, que os veterinários alemães venceram essa batalha e Knut (bolinha de pêlos, em alemão) VAI VIVER!!! 

 

Domingo de sol em São Paulo. E a Casa das Rosas para acolher uma retirante retirada de convívio familiar…

Só faltou bolo de cenoura e cheirinho de café passado… 

Priscila Aprígio da Silva, a adolescente de 13 anos atingida por uma bala perdida durante tiroteio em assalto a banco, em São Paulo, ficou paraplégica. E está radiante.

Em entrevista à TV Record hoje pela manhã, nos programas Fala Brasil e Hoje em Dia, era visível o distúrbio de realidade por que a menina está passando.

Questionada pela repórter sobre o que ela mais deseja daqui para frente, foi efusiva: “Quero que vocês não me esqueçam! Que venham conversar comigo de vez em quando, que me liguem prá saber como eu estou, que falem de mim!”

Outro sinal, talvez mais comum entre pessoas “deslumbradas” com as lentes: ela dava a entrevista olhando para a câmera, não para a repórter.

Com um sorriso de orelha a orelha, respondia à pergunta “como você acha que a sociedade vai reagir ao seu episódio?” se colocando à disposição. “Ah, no que vocês precisarem, eu tô aí…” (tuuuuudo a ver!)

Não estou recriminando a Priscila, não mesmo. Só estou salientando um sinal quase macabro de desvio de foco do problema. Ela não está só otimista pela recuperação do movimento das pernas. É mais do que isso! Ela está agindo como se estivesse na “crista da onda”! Toda a mídia ao redor, entrevistas prá todo o lado. Ela virou exemplo de perseverança, mártir da violência urbana. E quer mais! Quer que não esqueçam dela!

Pior do que isso é sentir que a ordem da reportagem no ponto no ouvido é sempre “CONTINUE, CONTINUE…”, mesmo que a entrevista esteja patética.

Deboard surtaria.

O cúmulo do vício em Google é afundar o dedo no teclaro prá começar uma busca e digitar “ggg” na barra de endereço.

Sim, eu fiz isso! :-P

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