February 2007


Tenho batido várias vezes nessa teclinha. Especialmente usando-a como argumento promotor de credibilidade no jornalismo colaborativo.

“Mas Ana, como a gente pode acreditar em notícias produzidas por pessoas comuns?”

A gente só diz o nome quando a gente se garante, quando tá falando a verdade. Ou quando faz a coisa certa.

Prova do oposto disso aconteceu ontem, quando o ônibus 719P - Armênia/Pinheiros bateu em outro veículo coletivo (da EMTU) no Largo da Batata, por volta das 20h. Sim, o ônibus já havia levado 30 minutos até passar atrás da Abril.

O cobrador, “arrastado” por mim e por outras passageiras até a rua Teodoro Sampaio para parar outro ônibus que seguisse viagem conosco, ficou cerca de 20 minutos parado ao nosso lado, repetindo que era o primeiro dia daquele motorista, que o companheiro dele ia se ferrar, que ninguém da Viação Gato Preto atendia chamadas do celular dele.

E nada de parar nenhum ônibus para nós.

Irritadas, nervosas e cobertas de razão e prejuízo, nós três, passageiras, pedíamos: “Mexa-se! Olha o ônibus vindo aí! Pára ele para nós! Se nós fizermos sinal ele não pára! Tem que ser tu, que está de uniforme da empresa!”

Mais preocupado com o colega do que conosco, que pagamos o salário dele e já havíamos pago a passagem daquela viagem, ele chegou ao cúmulo de dizer: “Eu vou até lá (ônibus batido). Se vocês quiserem, vão ter que estar esperando um pouco mais aqui.”

Acho que ele se deu conta da burrada que fez, do descaso absoluto com que nos tratou quando perguntei:

“Qual o teu nome?” -  “Henrique.” - “E sobrenome?” - “Ah, isso eu não digo.”

Por que ele não disse quem era? Por que não assumiu a própria identidade? Porque sabia que estava agindo erroneamente e temia punição.

Ok, peguei outros dados - número do veículo, horário, local, linha e registrei denúncia na SPTrans.

O que vai ser feito, não sei. Talvez nem busque saber disso. Só a temeridade do tal “Henrique” em dizer quem é em uma situação desfavorável serviu para ilustrar bem o poder da identidade. 

A capa da Bravo desse mês mandou dizer que a Oca recepciona a exposição “Leonardo Da Vinci - Uma Exibição de Gênio”.

A iniciativa vai aproximar do olhar do público cerca de 150 itens entre obras de arte e engenhocas do inventor.

(ansiedade!)

Num raro momento de disposição, inspirado por algumas indigações que pipocam aqui e ali no que (ainda!) ouço sobre jornalismo colaborativo no Brasil, preparei um artigo, na verdade uma crítica sobre a prática e os conceitos que envolvem a produção de conteúdo editorial pelas pessoas e para as pessoas.

Nada mais adequado do que publicar essa reflexão no OhmyNews! Só não imaginei que fosse se tornar conteúdo mainTop!!!!

Well… A sensação que fica é a total incompreensão diante de perfis de profissionais tão diferentes: tem gente com a mente tão aberta, tão pró-jornalismo colaborativo e (ainda!) tem dinossauros exibindo a carteirinha de jornalista por aí e tão preconceituosos.

Espero mesmo que a Sou+Eu seja o começo de uma longa - e relevante! - mudança!

Palhaçada, viu? O Kassab tá cavando a própria sepultura faz tempo… Daqui a pouco ele ganha o dele. Nada a ver com o Serra. 

André Vinicius mandou ver… 

Esse comercial faz parte de uma campanha publicitária colaborativa da Doritos. Sim! O vídeo foi produzido por alguém que NÃO É PUBLICITÁRIO nem produtor!

Fala, André:

“Deu no BB de hoje: “Comercial criado por consumidor é o favorito do Super Bowl no YouTube”. O filme foi feito para Doritos, em uma promoção criada pela marca para atrair comerciais criados por usuários e foi exibido no evento mais caro da TV americana para se anunciar.

A estratégia é cada vez mais usada: ao invés de criar um comercial com todos os riscos envolvidos (custo, má aceitação, etc), a marca convida os usuários para criarem seus próprios filmes que passam por algum tipo de votação popular (mais barata do que qualquer tipo de pesquisa), ficando o mais votado com algum tipo de premiação (geralmente ridiculamente mais barato do que pagar a produção de um filme).”

E como se não bastasse, a Skol, com sua campanha de Verão Redondo, YeahYeah!, está abrindo espaço em seu site para vídeos alocados no YouTube. Cara! Graaande sacada! Nem com servidor os caras gastam! E ainda promovem a colaboração e a inserção dos consumidores na marca do produto!

Putz! Até eu que não chego aos pés da arte da publicidade me encantei com isso…

Minha Pecolina está em São Paulo!!!

A história tem só 11 meses mas é cheia de altos e baixos…

Depois de encontrar aquele troço pretinho num matinho do Coopagro, em Toledo, ela encheu minha vida de carinho e alegria num dos momentos em que mais precisava!

Foi mamãe precoce, aos 7 meses, de cinco gatinhos lindos! O pai era fofo também. Minha Pecorrucha é exigente e cruzou com um siamês também da rua!

Então veio São Paulo nas nossas vidas e tudo mudou. Ela ficou um mês na Veterinária São Francisco, em Toledo, enquanto eu procurava uma casinha para nós. Voltei para os grotões do Paraná para buscá-la. Antes, lógico, comprei as passagens de avião pela TAM com a condição de trazer a Peco e os dois filhotes que não havia conseguido doar.

A TAM dispensou o PIOR TRATAMENTO para nós. Inventou pelo menos cinco desculpas contraditórias na tarde anterior à viagem, todas ditas com muita agressividade e descaso.

Fui obrigada a deixar a Peco em Toledo, mais uma vez na Veterinária da Doutora Leci Bortoluzzi. Só que dessa vez eu não voltaria mais para buscá-la. Não havia como! Parecia mentira… Procurei transportadora, caminhão de mudança, empresa de ônibus e nada! Ninguém podia levar meu tiçãozinho para junto de mim.

Começar a vida que tanto sonhei com o peso da culpa de ter abandonado um serzinho que tanto amo e que tanto me amava foi difícil. Foi horrível! Seguido tinha crises de remorso. Na noite de Natal foi triste demais lembrar da Peco e lembrar que ela estaria, àquela hora, sozinha, dentro de uma gaiolinha naquela cidade onde tudo é tão difícil!

Nesses três meses ela foi castrada e os filhotes dela ganharam um lar! A doutora Leci foi o anjo de São Chiquinho que cuidou da minha Peco como ninguém! Nem mesmo como eu pude cuidar dela…

No segundo sábado do ano, aqui em SP, encontrei a carteirinha de vacinação da Pecorrucha. O saldo foi um final de semana inteiro deprimida, me arruinando pela maldade que a vida me obrigou a fazer com aquela gatinha.

Mas como diz minha Mãe, nasci num domingo e naquela mesma semana a Dra. Leci me ligou. “Ana, acho que consegui uma carona para a Peco ir até São Paulo!”

Nossa vida mudou mais uma vez! Em menos de um (loooongo) mês preparamos a vinda dela para cá! Até que ontem à noite, a Pecolina chegou aqui na Abril, de carro, junto com a veterinária Marina (amiga da dra. Leci) e com a Frida (uma cadela linda que a dra. Marina achou em Guarulhos).

Enfim, juntas! Desculpa, Peco. Obrigada, Dra. Leci! Obrigada, Marina! Obrigada, São Chiquinho! Obrigada, Mãe do Céu!

Yes!! A Camila Santana, do portal AbrilNet, produziu uma matéria super legal - e fidelíssima! - sobre a minha palestra de ontem.

Valeu, Camila! É raro encontrar jornalistas que consigam ser tão fiéis à mensagem passada por um teórico com a pontinha do pé na prática… :P

UPDATED: a Camila Santana, prudentemente, me alertou que o link para a matéria só está disponível dentro da Abril :( Buenas… se der, reproduzo aqui a matéria dela. 

Enxoval, chá de panela, noivado já parece como dote: coisas de relações afetivas antigas.

Casais descolados e relações-relâmpago são cada vez mais frequêntes. Vide escritos de Zygmunt Bauman sobre identidade pós-moderna.

Mas o individualismo está tomando proporções estarrecedoras.

Como se não bastasse nós, humanos, sermos cada vez mais sozinhos, agora até o brinco feminino se tornou “in” se solitário?!?! Eu, hein? É de dar medo!!

Imagine acabar uma palestra no Curso Abril ouvindo isso de uma participante que estava na platéia?

Meu SONHO é trabalhar com meus alunos.

A Laura fazia Publicidade na Fabico e certa noite substitui o Alex Primo na disciplina de Projeto Gráfico. Dei aula uma noite para a Laura. Ela, querida, lembrou de mim. E eu, toda boba, me emocionei muito ao me ver numa situação com que sempre sonhei.

Há quatro fabicanos aqui. Famecos, quero te ver!!!

Então bracinhos por todo o auditório do mezanino do Novo Edifício Abril, na Marginal Pinheiros, se erguem! O entusiasmo deles ofuscou o brilho dos meus olhos nessa hora.

Ontem foi dia da palestra “O que é jornalismo colaborativo?”, no XXIV Curso Abril de Jornalismo.

Apesar da minha prolixidade (sorry, pupilos! um dia aprendo a ser mais sintética!), acho que dei o recado.

Fiz referências ao que o Dr. Roberto Civita comentou na palestra dele, de segunda e fiz uma ressalva bastante pessoal admitindo que a Sou+Eu é, sim, jornalismo. De entretenimento.

Mas o fermento especial daquela noite foi a disposição daquele povo em discutir (e FAZER!) jornalismo colaborativo. Apesar do receio visível e mega compreensível de recém-formados diante do fato de que “every citizen is a reporter”, a penetração de um novo modelo de jornalismo é muito mais factual.

A gente sente nesse pessoal do Curso Abril e em jovens jornalistas em geral uma flexibilidade muito grande quanto às possibilidades que a tecnologia traz à atividade. Novos modelos de jornalismo FINALMENTE não são vistos como ameaça, mas como OPORTUNIDADES para essa trupe responsável por oxigenar a produção de conteúdo editorial no Brasil.

Queridos, PARABÉNS e obrigada pela oportunidade dessa conversa.

Com os convites para cafés aceitos, vejo em vocês fortes aliados para renovar - e salvar - o jornalismo digital.

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