Desejo do real

F. Nietzsche:

“Supondo que nada seja ‘dado’ como real a não ser o nosso mundo de desejos e paixões, que não possamos descer ou ascender a nenhuma ‘realidade’ que não seja a dos nossos instintos, então pensar é apenas uma inter-relação desses instintos.”

Daí o equívoco de tratar as coisas da mente de forma irreal. Diria, a partir disso, que nada é tão real quanto aquilo que pensamos, desejamos ou sentimos. Quando manifesto toma forma de aparência, cristaliza-se na roupagem da perspectiva – o que não deixa de ser verdade, mas de uma forma construída, arquitetada.

Se o pensamento é o gesto virtualizado, que aguarda uma solução criativa para fazer-se atual, estão nele as raízes da descoberta, de todo ato, de cada instinto: a legitimidade, enfim, que fortalece qualquer movimento. Que faz de cada um de nós seres tão reais – e legítimos – quanto afirmam nossos mais íntimos impulsos.

(perdoem se parece viagem. difícil ler Nietzsche sem mergulhar nos aforismos)

About Ana Brambilla

Sou jornalista, me interesso por processos colaborativos em mídias digitais, nasci em Porto Alegre, moro aqui mas amo São Paulo ^.^
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