F. Nietzsche:
“Supondo que nada seja ‘dado’ como real a não ser o nosso mundo de desejos e paixões, que não possamos descer ou ascender a nenhuma ‘realidade’ que não seja a dos nossos instintos, então pensar é apenas uma inter-relação desses instintos.”
Daí o equívoco de tratar as coisas da mente de forma irreal. Diria, a partir disso, que nada é tão real quanto aquilo que pensamos, desejamos ou sentimos. Quando manifesto toma forma de aparência, cristaliza-se na roupagem da perspectiva – o que não deixa de ser verdade, mas de uma forma construída, arquitetada.
Se o pensamento é o gesto virtualizado, que aguarda uma solução criativa para fazer-se atual, estão nele as raízes da descoberta, de todo ato, de cada instinto: a legitimidade, enfim, que fortalece qualquer movimento. Que faz de cada um de nós seres tão reais – e legítimos – quanto afirmam nossos mais íntimos impulsos.
(perdoem se parece viagem. difícil ler Nietzsche sem mergulhar nos aforismos)