
Nietzsche:
“A mulher dá-se, o homem aumenta-se com ela; penso que nenhuns contratos sociais, mau grado a melhor vontade e a maior sede de justiça, poderão alguma coisa contra esta antítese natural, por mais desejável que possa ser não deixar ver constantemente a dureza, o horror, o enigma e a imoralidade desse antagonismo. Porque o amor, porque o grande amor, o amor total, o amor completo, é da natureza, por consequência, como qualquer natureza, coisa eternamente ‘imoral’.”
A infidelidade, tão imoral quanto o amor, é, para Nietzsche, uma tal “afinidade eletiva” que fala à posse. À posse tão natural no amor da mulher que “dá-se ao homem” numa entrega de fé – mais que submissão ou renúncia: posse.
Deixar-se possuir: esse é o amor, dom maior da mulher.
Daí desvela-se a infidelidade. Movido pelo desejo da posse o homem, uma vez que possui, cessa a posse. Uma espécie de sexualidade animalesca masculina é alimentada pelo mistério do feminino: meia-luz que oferta o aroma e oculta o fruto.
“Há mais vertigem no mistério do que no obsceno”, diz Nietzsche.
E ainda que o mistério se acabe, que a mulher, enfim, sinta-se possuída e abra caminho para a infidelidade, é feito o fruto da VONTADE e, como tal, absurdamente honesta e sincera, a infidelidade não será motivo de arrependimento.
Repugnantemente machista, Nietzsche alerta, já no século XIX, sobre o perigo da entrega feminina. Pena saber que nem todas aprendemos, mesmo passados dois séculos, a amar como homens…