
Ele se recuperava de uma cirurgia recente. Estava frágil. Ou era frágil.
Ali, deitado sobre o leito do hospital, ainda sob os efeitos da anestesia, esforçava-se por me reconhecer. Balbuciou duas, três palavras. Virou-se de bruço e parou.
Desespero.
Ao nosso redor nenhum médico, nenhuma enfermeira. Só o apito irritante e insistente do medidor dos batimentos cardíacos. Estridência constante. Pavor.
Sem força nem experiência, uni meus punhos e me pus a pressioná-lo na altura do peito. Tinha de voltar. Não o sentia. Não o tinha mais em minhas mãos.
Um minuto, mostrava o monitor. Mais alguns segundos e qualquer esforço seria em vão.
Vamos! Mais um pouco. Cada empurão era um soco, um baque, um sopro de vida outra vez. 20, 40, 60… Ele voltou. Chorando, suspirei.
Quem era aquele menino, loiro, de bochechas rosadas, não mais de 10 anos, que trouxe de volta à vida essa noite?