Famecos repudia decisão do STF em manifesto

Após uma reunião na última quinta, o corpo docente do depto. de jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, a FAMECOS, preparou e lançou o manifesto abaixo, posicionando-se oficialmente perante a sociedade a respeito da decisão desinformada e, portanto, brutalmente equivocada do STF que desregulamentou a profissão de jornalista no Brasil:

Manifesto Docentes Diploma

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Profissão: jornalista

Sei que devo um post sobre o tema, que tine nas nossas cabeças desde o dia 17.

Mas prefiro abrir aspas para a Profª Mágda Cunha, diretora da Famecos, nesta reflexão mais do que lúcida, como já lhe é de costume.

Destaco:

“Um jornalista aprende português, filosofia, história, legislação, sociologia, entre outras disciplinas. O que não quer dizer que indivíduos com a formação nessas áreas possam narrar os acontecimentos.

(…)

Em plena sociedade da informação, é impossível falar em restrição à liberdade de expressão. A telefonia celular e a internet já estabelecem novas relações entre os cidadãos e o poder. Cada um é capaz de contar a sua história, mas não o fato sob suas muitas dimensões.”

Na frase em destaque a Profª Mágda cristaliza aquilo que tantas vezes já comentei: todo o cidadão pode ser um repórter, mas não pode ser um jornalista.

Lembrando: ser jornalista é muito mais do que ser repórter. A própria autora do artigo lista algumas das tantas outras atribuições de um jornalista – profissionalmente formado na área:

“Um jornalista aprende técnicas específicas de sua profissão, como reportagem, edição, linguagens para as diferentes mídias, estudos de recepção, formas adequadas de tratar um acontecimento, considerando princípios éticos.”

Enfim, vale a leitura.

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Será o hacker-journalist o profissional do futuro?

Jornalistas e programadores criando soluções editoriais para aprimorar o exercício da comunicação. Lugar-comum? Quem dera! Essa combinação explosiva que acontece em qualquer redação minimamente preocupada com o meio digital talvez origine experiências tão traumáticas justamente porque é uma prática que acontece somente no mercado, em pleno voo, e comprometido com resultados.

E se esse encontro já acontecesse na universidade?

Um artigo publicado no Knigh Center comenta casos de estudantes de jornalismo e de ciências da computação da Northwestern University, que se uniram na disciplina “New Media Publishing Project” para conceber e produzir tecnologias que facilitam a rotina das redações. Mais do que isso, essas ferramentas aperfeiçoam o jornalismo digital.

Entre as inovações propostas estão um aplicativo para iPhone que envia notícias diárias em blocos de até 20 minutos; dois programinhas para o Twitter (um deles combinando reportagens com opiniões e informações de um determinado assunto abordado na plataforma de microblogging).

Está no artigo:
“Na sala de aula, os alunos são divididos em times de estudantes de jornalismo e computação, com o objetivo de criar aplicativos web necessários para a apuração e o consumo de notícias.”

Eu apostaria nessa união de áreas e talentos especialmente para convencer a turma que vê a tecnologia como “isso não é jornalismo”. Ao ter a possibilidade de expandir seu potencial criativo, ver a coisa acontecer em parceria com o pessoal da computação e se colocar em uma carreira top, o hacker-journalist se encantaria pelo trabalho.

Origem
O termo foi cunhado por Brian Boyer, um desenvolvedor de software e graduado pela Medill (escola de jornalismo da Northwestern University). Ele assume, neste mês, o cargo de “editor de aplicativos noticiosos”, no Chicago Tribune.

Nesta função, Boyer vai escrever aplicativos para o site do jornal, buscando apresentar aos leitores relatórios de reportagens investigativas em bancos de dado interativos e passíveis de busca. (da Time)

Não apenas um novo cargo, mas um novo perfil profissional.

(Eduardo Pellanda, valeu a dica dos artigos!)

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Festival de Gramado e Redes Sociais

oficina redes sociais gramado publicidade ana brambilla

Ok, ok. Sei que esse WordPress anda estranho e que minha boca saiu torta na foto. Mas foi um momento prá lá de gostoso e vale o registro feito pelo Marcelo, meu aluninho de Jornalismo, durante a oficina de redes sociais que dei no estande da Famecos durante o 17º Festival Mundial de Publicidade de Gramado.

Várias anotações (rtf) legais pintaram de algumas palestras interessantes, das quais destaco a do Walter Longo, o sócio. Elas renderam uma cobertura no Twitter para o @eusoufamecos.

Também aproveito para compartilhar (valeu a dica, querido Rafa Sbarai!) o keynote que trabalhei com aquela galera bacana que veio de n partes do Brasil – inclusive as mais quentinhas – para curtir aquela semana de 4 graus na Serra Gaúcha.

Também sugeri que a galera fizesse um testezito: o quanto você está apto a trabalhar com redes sociais? (pdf)

UPDATED: querido Ticiano Paludo faz um overview bem bacana do evento.

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O Orato, aquele noticiário colaborativo lançado no final de 2007 e até agora online em beta, foi relançado essa semana na versão “pra valer”.

orato

O mais bacana é que no mail que eles mandaram para os cadastrados da primeira versão, Sam Yehia, proprietário do Orato, alguns highlights sobre o formato, o modelo dos conteúdos que buscam. Com essas e outras iniciativas, assistimos à criação lenta e sempre questionada de um estilo de conteúdo jornalístico próprio para a web.

Eles querem:

* textos entre 250 e 600 palavras
* uso de links
* uso de verbos em 3ª pessoa (exceções a relatos de testemunho)
* textos autênticos e com pauta nitidamente focada
* informações concretas
* interesse global (sim, a internet é global!)
* pesquisa de contexto
* pautas que acrescentem algo à discussão pública (eles querem crítica!!)
* citação de fontes solidamente verificáveis (eles não querem mais opiniões)

Formatos:

* dicas e conselhos
* tutoriais
* entrevistas, perfis, ping-pong
* notícias
* reviews de livros, filmes, devices eletrônicos, software, serviços etc

Entre as novas editorias que o Orato criou está auto-ajuda – tópico em expansão em redes sociais, blogs e, agora, no jornalismo colaborativo também!

Além de dispor de uma equipe 24 horas para recepção e edição dos artigos que vêm do público, o Orato também oferece um blog onde diz ajudar seus colaboradores a melhorarem seus trabalhos. (Finalmente alguém adotou essa ideia de forma oficial!! Faz uns 5 anos que ela está no meu keynote de jornalismo colaborativo!!)

Agora a parte mais inusitada: o plano de carreira para o cidadão-repórter do Orato:

* o site não exige a concessão dos direitos do autor sobre seu trabalho
* o cidadão-repórter (que eles chamam irresponsavelmente de “jornalistas”) pode reproduzir seus trabalhos em outros lugares e até mesmo cobrar por isso
* os artigos podem não ser, necessariamente, inéditos
* os colaboradores são automaticamente promovidos depois do 25º artigo publicado, passando a ganhar um aumento de 10% nos pagamentos
* ah, sim! eles pagam pelos artigos… Quem colabora com o Orato recebe de 20 a 30% dos lucros gerados com publicidade em seus trabalhos, pagos mensalmente via PayPal

Eles estão ambiciosos e parece valer a pena acompanhar. Será que, agora, o Orato decola?

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Saiu a nova Revista Famecos

revista famecos

Saiu o número 38 da Revista Famecos. E chamo a atenção para dois tópicos em especial:

* não deixem de conferir o artigo da Raquel Recuero, intitulado “Diga-me com quem falas e dir-te-ei quem és: a conversação mediada pelo computador e as redes sociais na internet”. O nome é pomposo e aborda as relações “vivas” nestes sites, muitíssimo além da troca de links entre os membros envolvidos.

* a foto da capa – vejam só! – foi feita num N95 pelo querido Roberto Tietzman.

Já passou há horas o tempo em que produção profissional de foto pedia aqueles canhões de beira de gramado e toda a parafernália usual. Brabo é a sociedade te reconhecer na rua como jornalista trabalhando de verdade enquanto tua câmera ou gravador cabem no teu bolso. Esterótipos caindo, caindo, caindo…

Ironia, né? :-P

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Leitor-repórter de Zero Hora: que decepção!

Perdi a conta de quantas vezes referenciei o Leitor-repórter, braço colaborativo do site da Zero Hora, como bom exemplo de jornalismo colaborativo, inclusive em palestras e aulas. Até que chegou a minha hora de precisar publicar uma denúnica no Leitor-repórter e eis que uma inoperância total se revela.

leitor reporter zero hora

A matéria que enviei há mais de 15 dias, denunciando a sujeira e o descaso com a Praça Cristo Redentor, ao lado da minha casa, não recebeu a menor consideração dos editores. Fiz uma porção de fotos num sábado à tarde, trouxe declaração de morador e números de protocolos registrados na prefeitura. O sistema funcionou direitinho, mas a comunicação falhou. Ou seja: nenhum feedback. Tampouco publicação. E isso é grave quando se abre um espaço “colaborativo” e chama os usuários à colaboração.

leitor repórter zh

(tela capturada da minha área de administração no Leitor-repórter)

Há alguns meses troquei uma série de mails com a Bárbara Nickel, que tem uma bela visão sobre colaboração no jornalismo e não creio que ela tenha negligenciado o processo. Pedro Dias Lopes, editor-chefe (imagino) de ZH online pensa web de um jeito legal e também não consigo vê-lo desprezando a participação do público. Devo acreditar em problemas técnicos, embora nada aparentes?

Para piorar, as últimas matérias que vejo publicadas no Leitor-repórter são pautadas pelo pôr-do-sol no bairro Três Figueiras, o voo de uma garça no Parcão, o festival de pandorgas… Tudo coisa de utilidade pública de primeiríssima ordem!!

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The State of News Media 2009: tá difícil de reconhecer o poder do jornalismo cidadão

Um ano depois de decretar a “desaceleração do jornalismo cidadão”, o relatório The State of News Media aparece na versão 2009 dizendo que “os esforços da mídia tradicional em incorporar o público na produção do seu noticiário se refinaram” do ano passado para cá.

Apesar de trazer uma visão menos catastrófica do que em 2008, o relatório chega ainda rançoso com o jornalismo colaborativo:

- Noticiários colaborativos ainda são raros (??) e pouco atualizados, mas a qualidade da informação que o público produz é superior à dos blogs.

- Grandes players seguem apostando em braços colaborativos, mas a contribuição que o público tem a dar ainda é melhor enquanto fonte do que como repórter.

- O público ainda faz a diferença quando atua em classificação e indicação de conteúdo (ao estilo Topix e Digg), o que eles chamam de “citizen aggregation” com foco no hiperlocal.

- Várias iniciativas de noticiário cidadão falharam por baixa participação ou por questões de controle de qualidade (quais?? por que não citam?) Uma iniciativa que se redesenhou e deu certo foi o iReport, da CNN (by the way, onde a morte do Steve Jobs foi “noticiada” DEPOIS do relançamento do projeto, em que o primeiro filtro foi abolido. E o relatório fala em controle de qualidade? Às vezes parece necessário questionar o que esses caras entendem por jornalismo colaborativo ou cidadão).

***

Alguns números do overview:

- em 2002, um em cada 5 jornalistas trabalhava em jornal. Em 2009 esse número pode diminuir;
- as redes locais de televisão registraram queda de 7% em suas receitas de publicidade em 2008: algo inédito para um ano eleitoral;
- o número de americanos que procura por notícias na internet subiu 19% nos últimos 2 anos;
- os 50 maiores sites tiveram um acréscimo de 27% em suas audiências (mas o quadro não se repete na receita, que se achata para o noticiário online)

Tiago Dória também comenta o relatório deste ano, enfatizando o jornalismo individual e o colaborativo na forma de blogs.

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Para entender a internet

Acreditem ou não: este livro nasceu na Campus Party Brasil 2009 :-) E será lançado na próxima terça, dia 17, às 18h, no Twitter.

para entender a internet

Não, não haverá vinho nem canapés e ninguém vai gastar um dindim para ter seu exemplar. O livro será disponibilizado gratuitamente em pdf no endereço a ser liberado no instante do lançamento.

A idéia veio do querido Juliano Spyer – o cara que me falou pela primeira vez da existência do OhmyNews. O Ju dispensa apresentações para o mundo digital, mas vale reforçar que este projeto é mais uma dos tantos projetos inovadores que ele ancora no ciberespaço, tendo como base a cultura colaborativa.

O Ju me fez este convite enquanto almoçávamos no bandejão da CP Brasil 2009, lá no Imigrantes, junto com o André Avorio, o Alex Primo e o Pedro Markun. Cheguei ali com um pratão de comida e saí da mesa com a missão de escrever o capítulo sobre jornalismo colaborativo desta jornada conceitual por temas-chave da internet.

Todos estão convidados para o lançamento :-)

UPDATED: O livro já está online e free para download!! Tem também o site oficial da publicação :-) Enjoy!!

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Facebook supera Google como fonte de tráfego

Essa a querida Karina Yamamoto mandou dizer lá pelo Twitter – e me espantou!

De acordo com a empresa de pesquisa Hitwise, alguns sites de fofoca e de relacionamento (Twitter) registraram maior quantidade de visitantes vindos do Facebook do que do Google.

No caso citado pelo BlueBus, 8,7% dos visitantes do site PerezHilton.com chegaram via Facebook. Já via-Google vieram 7,6%.

Esse dado é pertinentes para sensibilizar jornalistas sobre a IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO EM MÍDIAS SOCIAIS. Um trabalho de SMO (Social Media Optimization) pode ter um belo viés editorial e não apenas mercadológico. E isso se consegue através da infiltração das redações nos ambientes JÁ OCUPADOS pelas pessoas.

A linkabilidade – evidenciada no caso do Facebook como importante gerador de tráfego – é apenas uma das frentes por onde se ataca com SMO. Talvez, uma das mais delicadas, visto que não adianta sair plantando link em tudo o que é página de recado de rede social esperando que o público clique feliz da vida! O efeito rebote (antipatia pelo veículo) pode ser devastador.

Mas a notícia acima é boa para evidenciar que redes sociais não apenas dispersam a audiência dos veículos, “roubando” o tempo em que a galera fica online. Elas também condensam, mobilizam. E o que mais os publishers gostam: geram tráfego.

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