Nessa noite que passou, o Google deu mais uma das suas tacadas de mestre: lançou o Google Friend Connect.

Trata-se de um snippet que qualquer pessoa poderá acrescentar no html de seu site, transformando-o, em linhas gerais, numa rede social. O mais curioso é que, para fazer parte da rede de um site, o internauta não precisa cadastrar-se especificamente nela. Basta estar conectado ao SERVIÇO do Google. Todos os sites que oferecem esse mesmo serviço estarão em comunicação e o usuário poderá transitar por eles com o mesmo login.

Como um programa piloto, o Google Friend Connect por enquanto só coleta sites candidatos a beta-testers. Serão selecionados cerca de 20 sites que testarão o sistema durante os próximos meses. As APIs oferecidas conversarão com aquelas que já existem em outros ambientes 2.0 da web como Facebook, GTalk, Orkut, Plaxo e outras plataformas.

Destaco um trecho interessante do release dos caras:

“Google Friend Connect has been developed to lower two barriers to the spread of social features across the web. First, many website owners want to add features that enable their visitors to do things with their friends, but the technology and resource hurdles have been too high. Second, people are tiring of needing to create new logins and profiles and recreate their friends lists wherever they go on the web. Google Friend Connect offers a solution to both these issues.”

IN-CRÍ-VEL a coincidência! Conversava isso com meus alunos da Cásper ainda HOJE DE MANHÃ, em aula! E depois, quando cheguei na Abril, soube dessa iniciativa.

A discussão era justamente se há espaço para tantas redes sociais que pipocam aqui e ali. Se o povo tem paciência e propósito para se cadastrar em várias redes ao mesmo tempo e - pior - se PARTICIPA de todas essas redes.

Acho que o Google Friend Connect só acentua essa discussão e pode nos trazer alguma resposta. Em breve.

Ontem o Alexandre Miraldo (esse meu colega que ainda vou ver tomando chimarrão) me encaminhou um artigo do BlueBus onde Luis Alberto Marinho denunciava uma possível falácia na campanha “www.voceescolhe.com.br“, que até já foi pauta deste Libellus.

O nome sugerido e eleito pelo público havia sido “Samba”. Mas a nova companhia de aviação foi batizada de “Azul”. Alguns domínios de web até já tinham sido registrados. Estranhamente, na lista dos domínios que o Rafael Spoladore, meu ex-colega de Fasul, informou também no BlueBus, não constava www.voesamba.com.br - as opções que ele trouxe, são:

flyazul.com.br
voeazul.com.br
voebrasileira.com.br
voebrisa.com.br
voejetbrasil.com.br
voenossa.com.br
voepatria.com.br
voevamos.com.br
voeviva.com.br

Buenas, isso acontece na mesma semana em que eu questionei meus alunos da Cásper se eles já tinham visto na TV algum comercial gravado pelo público, concretizando campanhas colaborativas que têm pipocado por aí. Algumas até registrei aqui no Libellus, como Casas Bahia e Mastercard.

Diante da resposta negativa dos meus alunos e de outras pessoas com quem andei conversando, o OhmyNews era o destino certo para essa reflexão.

Bocadopovo é um site de jornalismo cidadão recém-lançado na Bahia. Mais um, talvez. Mas como a tônica é o hiperlocalismo, então tá valendo a iniciativa e espero dali as notícias das ruas, calçadas e casas baianas.

A pegada editorial parece bacana, a começar por uma manchete online agora: Alagamento em Salvador quase leva meu carro.

Só não é nada fantástico o tal do gerador de lead. Trata-se de um formulário onde o cidadão repórter é convidado a digitar em caixinhas as respostas às seguintes questões:

QUEM?
O QUÊ?
ONDE?
COMO?
QUANDO?
POR QUÊ?

Quando tu clica em AVANÇAR, eis que surge um… LEAD!

Pois é… Para que ficar assistindo àquelas aulinhas de técnica de redação jornalística, né? Pirâmide invertida, o que é relevante, verbos declaratórios, uso de artigos, adjetivos, sujeito e predicado que não deve ser separado por vírgula, uma ou duas idéias por frase… Quaaanta besteira!

Eu entendo que escrever um lead, tarefa óbvia para qualquer jornalista, não seja tão simples assim para todo mundo. Entendo também que o canal de submissão de conteúdo vai além e não limita o trabalho do cidadão repórter a essa afronta ao bom senso jornalístico.

Mas a dinâmica da ferramenta lembrou DEMAIS os escrotos Gerador de Lero-lero e Miguxeitor.

Fico pensando até que ponto soluções assim estimulam ou subestimam o intelecto humano…

Agrad’cida pela dica, Pedro Markun!

Fazendo eco ao post do Eduardo Pellanda no Ubimidia… estou babando pelo Shozu!

Trata-se de uma plataforma integrada de conteúdo colaborativo, inclusive jornalismo.

Operada por celular, a estrutura permite que materiais produzidos em devices móveis sejam submetidos a sites de conteúdo genérico como Flickr, Blogger, Facebook e YouTube até páginas jornalísticas como CNN e BBC.

Duas coisas importantes aí:

1) colaboração móvel e instantânea
2) integração

A facilidade na navegação móvel ainda parece um desafio para muitos portais. Integrar várias saídas de UGC numa mesma ferramenta me pareceu tacada de mestre!

O Shozu em si não é novo enquanto software, mas desconhecia serviços “neutros” como canal de jornalismo colaborativo, ainda mais para “grandões” como CNN e BBC.

Esse é o nome da campanha colaborativa que a Mastercard acaba de lançar.

Feito o gancho com o bordão clássico da operadora - “Tal coisa não tem preço. Todas as outras você compra com Mastercard” -, a já megacriativa sequência de peças promete ser ainda mais enriquecida com histórias que venham do público.

Destaque para o formulário de envio de histórias, inteligentemente desenhado já no layout como o conteúdo é apresentado.

De resto, a dinâmica segue igual às outras campanhas 2.0 que têm pipocado por aí: envio de fotos e vídeos, votação online e melhores peças veiculadas como comercial.

***

Sabe o que me encasqueta? É que nunca vejo esses comerciais de origem “2.0″ serem veiculados na TV…

Ok, eu não sou A espectadora. Assisto tri pouco à TV. Mas que essas campanhas deixam o desfecho a desejar, ah, deixam.

A campanha para o Dia das Mães, das Casas Bahia, abraçou a colaboração e, apesar de não trazer novidade no cenário midiático, reforça o movimento de trazer o consumidor para dentro das peças publicitárias.

“Mãe Merece Sempre Dedicação Total” entregou câmeras de vídeo nas mãos de 30 mulheres, com a missão de entregar registros de cenas do dia-a-dia com seus filhos.

Paralelamente, no site, mamys podem enviar suas propostas de comercial em vídeos de até um minuto para serem votadas e então veiculadas, sob as bênçãos do YouTube.

Nescau já fez isso. Skol já fez isso. Doritos já fez isso. Como disse, não é novidade. Mas parece bacana.

Valeu a dica, Glau Gasparetto! ;)

Um estudo apresentado hoje pela eMarketer avalia as potencialidades de lucro do conteúdo gerado pelo usuário (UGC), o “User-Generated Content: In Pursuit of Ad Dollars“.

O artigo que me foi enviado pelo Walter Toscano chama-se “Can User-Generated Content Generate Revenue?” e apresenta alguns números interessantes.

1) A projeção que a eMarketer faz é de que hoje existem cerca de 77 milhões de produtores de conteúdo somente nos Estados Unidos. A perspectiva é de que, em 2012 esse índice chegue a 108 milhões.

E o relato destaca, aos céticos e advogados do diabo: “The content is being read, seen and heard, too.”

2) … Pois o número de consumidores de UGC, também naquele país, chega a 94 milhões hoje, com projeção de atingir a marca dos 130 milhões dentro dos próximos 4 anos.

Os ambientes onde acontece essa fruição podem ser desde empresas clássicas como a CNN, até com tons tradicionais, como a MSNBC, chegando a startups, como YouNewsTV.

Paul Verna, analista sênior da eMarketer, justifica assim um provável aumento da verba publicitária em iniciativas de UGC.

O incentivo dos anunciantes a esse tipo de conteúdo pode não ser imediato, mas será significativo. O relatório antecipa que o lucro obtido por projetos de UGC, hoje fixado em US$ 162 milhões, pode subir para US$ 824 milhões até 2012.

Estou na torcida!!

A prefeitura de Curitiba resolveu entrar na “onda” do jornalismo colaborativo e lançou o “Eu Repórter Cidadão“.

A proposta é para os curitibanos gravarem e enviarem vídeos de até 1 minutos, onde noticiem algo que aconteça em seus bairros. Os melhores ou mais bem votados viram um informa publicitário da administração local e são veiculados na TV aberta.

Sim, vocês leram isso: informe publicitário. E chamam isso de REPÓRTER CIDADÃO! Tô chocada!

Creches, pavimentação, transporte, segurança, centro de emergência médica, moradia populares… Ou vocês acham que surgiria alguma denúncia contra a prefeitura nessa programação?

Antes o povo envia os videozitos para lá só se identificando e dizendo que querem ser “Repórter por um d…” OPS! Não, não é pro Fantástico. É para a propaganda eleitoreira antecipada e fora de hora da prefeitura de Curitiba. Então “Quero ser repórter cidadão. Vote em mim!”

Olha o perigo da banalização do jornalismo colaborativo, olha o MAU USO ou o USO DISTORCIDO que se tem feito do potencial do público…

Será que o fato de esferas políticas ancorarem iniciativas assim não denota uma falta de zêlo dos jornalistas por um território que lhes é de responsabilidade?

Thanks pela dica, Juan Saavedra, via Jornalistas da Web.

A Newspaper Association of America recém publicou um relatório intitulado Citizen Journalism and Newspaper Sites: The Revolution will be Uploaded (pdf).

Trata-se de um documento retratando a relação entre jornais impressos e jornalismo cidadão nos Estados Unidos. Neste país, aliás, o relatório identifica a existência de 450 sites de jornalismo colaborativo.

citizen journalism map usa

O relatório fala de jornalismo hiperlocal e produzido pelo público. A relação com o impresso aparece provocada por duas características:

1) cidades pequenas, interioranas, mesmo nos Estados Unidos têm um índice de conexão ainda baixo, o que faz o papel ainda ter grande valor por lá.

2) principalmente nessas localidades, a faixa etária da população é elevada, o que não faz do meio digital um ambiente agregador.

Abrindo aspas para o editor do Rye Reflections, Jack Driscoll:

“For example, citizen journalism sites can help traditional media outlets identify underreported stories that have resonance with key audience segments, he argues. In return, they could consider partnerships in which they’d run links to such sites’ most popular stories.”

Perfeito! É para isso mesmo que serve o jornalismo cidadão: para suprir as lacunas que a reportagem de um veículo deixa na sociedade e que, nem por isso, correspondem a fatos irrelevantes.

O trabalho não deixa de lado a internet, ao contrário. A todo o momento, jornais impressos dialogam com a web. O título não é gratuito: de acordo com Lennox Yearwood Jr., CEO da Hip Hop Caucus, “The revolution may not be televised, but it will be uploaded”.

Conheci hoje o CBS iMobile - ou eyemobile, no trocadilho que eles propõem.

O que me causou excelente impressão da iniciativa não foi apenas o fato de ser um noticiário colaborativo composto por conteúdo produzido e publicado via celular porque já falamos disso há mais de um ano. O que me pareceu mais bacana foi a cara “primeira pessoa” do site; a começar pela zona quente da página, ocupada pela inscrição: “Breaking News Where I Am“.

Observem o

Essa frase revela muito, talvez tudo sobre o site. Me diz que o site traz conteúdo:
* instantâneo
* móvel e
* colaborativo

Os nomes dos menus me pareceram muito adequados - todos em primeira pessoa também: My Politics, Weather Where I Am, I Cover Sports and Outdoors, News From My Room … (apesar de que isso me fez pensar o que acontece no meu quarto que possa virar notícia… anyway…)

Confiram um mini tutorialzito que mostra como enviar fotos, vídeos e alguma notinha via SMS ou MMS.

Recém-lançado, esse projeto ainda não tem muito conteúdo. Mas não tá vaziozão. Protestos contra a China, eleições norte-americanas, situação nas estradas e alguns depoimentos prevalecem no site. Mas entrou para a lista da ronda. Sem demora, aposto que haverá muita coisa de qualidade por ali.

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